Uma
análise consistente da realidade escolar brasileira mostra que a atual situação
de precariedade da escola pública só poderá ser superada a partir de forte
vontade política dos governantes, que se concretize na necessária atenção para
com o ensino e no provimento dos recursos imprescindíveis para a realização de
uma escola pública de qualidade. A esse respeito, a eleição de diretores não
tem o imediatismo que muitos desejariam. Seu papel é apenas o de contribuir
para que a população possa contar com um recurso que lhe possibilite exercer
alguma pressão sobre o Estado para que ele atue na direção desejada. Em
síntese, a razão determinante da opção pela eleição como mecanismo de seleção
de diretores é a crença de que, por um lado, pode-se escolher um profissional
que se articule com os interesses da escola, e por outro, o próprio método de
escolha condiciona, em certa medida, seu compromisso, não com o Estado, como
fazem as opções do concurso e da nomeação, mas com os servidores e usuários da
escola. Mas, por mais importante que seja esse comprometimento - porque deixa
aberta a possibilidade de o diretor, articulando-se com usuários e servidores,
pressionar o Estado - ele é apenas um recurso para melhorar a escola, não uma
certeza. Tudo dependerá do jogo de forças envolvidas, que não é função,
obviamente, apenas da eleição do diretor.
ELEIÇÃO DE DIRETORES DE ESCOLAS PÚBLICAS:
AVANÇOS E LIMITES DA PRÁTICA*
Vitor Henrique Paro
* Trabalho
apresentado na 19ª Reunião Anual da ANPEd, realizada em Caxambu, MG, de 22 a
26/9/1996. Publicado em: Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos,
Brasília, v. 77 , n. 186, p. 376-395, maio/ago, 1996 e em: Revista Portuguesa de Educação,
Braga, v. 10, n. 2, p. 139-151, 1997. Também publicado em PARO, Vitor Henrique.
Escritos
sobre educação. São Paulo: Xamã, 2001. p. 63-78.
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